Hoje num programa de televisão a apresentadora comentou como piada que "era como quando se põe uma lagosta em água ferver, faz uns barulhos como se estivesse a gritar". Eu sempre tinha achado muita piada a esta apresentadora... mas acabou-se. Quando ela disse aquilo, eu sabia que tinha estragado tudo. Perdoar crueldade para com animais, é coisa que está para além daquilo que eu tenha conseguido alguma vez fazer.
Vamos lá ver se acho maneira de lidar com o assunto.
Num filme há várias vozes: a imagem, a narração e a música são as principais para mim.
Este filme não tem narração e é o primeiro filme no percurso pelo museu. Tem fotos a preto e branco e fotos a cores e não me parece que seja boa ideia converter as fotos a cores para preto e branco. Nalgumas fotos a cores há sangue na água e no ar, que jorra pelo espiráculo dos animais feridos.

Estas fotos a preto e branco catadas na net até se aguentam em cima do calhau. Acho que as fotos a cores também se vão aguentar.
As imagens contam a sua história e a música emociona-se com isso. Emociona-se de diversas formas e nem tem que se optar por uma delas: pode ter a excitação da caça, pode ter o perigo e pode ter a dor, umas vezes em sequência, outras vezes em simultâneo. E a música vai se lembrar que este filme é só uma abertura.
A pesca era um trabalho muito mais incerto do que a caça à baleia e por isso a caça à baleia deixou saudades nesta terra.

Mais de 90% dos animais caçados eram cachalotes. Não afundavam nem eram tão rápidos como as baleias de barbas. A baleia franca (uma das minhas favoritas) era lenta, mas era rara devido a ter sido praticamente levada à extinção no séc. XIX.

Os cachalotes têm também um comportamento que ajudou os baleeiros: quando um membro do grupo é atacado, todos os animais se reúnem em volta dele. Desta forma os baleeiros conseguiam caçar um grupo inteiro de uma vez.
A partir de certa altura, começaram a deixar os animais jovens ir embora. Davam praticamente tanto trabalho como os grandes e o rendimento era muito mais pequeno.
Quando o canhão apareceu com o intuito de apanhar as baleias com barbas que por aqui passavam, nem por isso as coisas melhoraram, a embarcação não era rápida o suficiente para seguir as baleias.
Consta também que o homem que disparava tinha má pontaria. Não só não acertava nos animais, como afugentava os homens que andavam nas baleeiras, que tinham medo da pontaria do colega. É sempre bom lembrar que o arpão tinha uma cabeça explosiva.
Inicialmente os homens aproximavam-se de forma furtiva das baleias, com remos e vela. Isto tinha algumas desvantagens. Os homens cansavam-se e uma vez que o arpoador também remava, quando ia atirar o arpão ou usar a lança, era pouco eficaz.
A técnica que foi usada com mais sucesso, surgiu com a motorização das baleeiras: o cerco. As baleeiras afugentavam os animais para águas pouco profundas com o ruído dos motores e as baleias eram mortas já junto à costa.
2 comentários:
Visitei um Museu da Baleia em São Roque do Pico, que me fez ter alguma simpatia por quem se dedicava à caça desta. Mas era uma caça para subsistir, feita por uma gente que vivia no limiar da sobrevivência. Felizmente acabou, porque é um animal demasiado grandioso para desaparecer assim. E gostava de saber o nome dessa apresentadora palhaça...
Aqui a história é parecida. Uma terra muito isolada com pessoal que vivia da pesca.
Ainda hoje estava a dar uma volta com o cão pelo porto e como sempre havia pessoal a pescar. Vi um peixe balão no chão e uma senhora que estava à pesca viu-me olhar para ele e disse:
- Isso não é bom para comer. Nem pra gato.
- Mas então porque é que não o deita de volta ao Mar?
- É pra ele não morder outra vez - respondeu ela com um sorriso bondoso.
Tá visto que vou fazer estes filmes sem chegar a ter uma relação minimamente pacífica com o tema.
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