quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Complicar o complicado

Os jogos são feitos de regras e as regras nem por isso espartilham a criatividade ou objectividade. As regras tornam as coisas mais interessantes e mais difíceis.

Uma altura resolvi comprar um presente de aniversário para mim mesmo e calhou ser o Ulisses, de James Joyce. Por coincidência, o livro passa-se todo no meu dia de anos.

Mas não é sobre coincidências que pretendo escrever (existem?), mas sobre a estrutura do Ulisses.

O livro segue ao longo de um dia e cada capítulo tem uma hora, uma cor e até vai seguindo um paralelismo com a Odisseia de Homero.

Bom, siga-se Joyce: cada filme terá uma hora do dia, uma cor. Quando digo isto, por vezes até posso vir a ser literal, na maioria das vezes não, até porque o efeito desta imposição de regras não pode perturbar o objectivo do filme, tem que ser forçosamente subtil e de alguma forma enriquecer o filme.

Um desafio maior seria seguir uma obra prima também. Em vez de um livro, proponho-me seguir o que considero ser o mais inspirado album de sempre, Hounds of Love, da Kate Bush. Quando digo seguir, não vou usar as músicas como banda sonora, vou só de lá retirar ideias e emoções.

Fazer corresponder o produto 1 com a 1ª música do album é directo. O album abre assim:

It doesn't hurt me
Do you want to feel how it feels
Do you want to know, know that it doesn't hurt me
Do you want to hear about the deal I'm making

You
It's you and me
And if I only could

I'd make a deal with God
And I'd get him to swap our places


Que há mais a dizer depois disto? Isto nada mais é do que a voz das baleias. Há ali simultaneamente um perdão e um apelo à empatia e compreensão do outro lado.

E como não há coincidências, vou acreditar que o album me vai indicar o caminho ao longo destes 11 filmes. Mais ainda, a 1ª música do 1º album da Kate Bush, abre com o som de baleias. No Hounds of Love, há também sons de baleias, mas em dose mais homeopática, na 6ª e na 11ª faixa.

Já uma altura eu tinha experimentado colocar a música Brazil, também pela Kate Bush, numa pequena cena que tinha feito com um casal de orcas. O sincronismo do movimento das baleias foi de tal forma perfeito até aos ínfimos detalhes logo à 1ª tentativa, que eu sabia que tinha que terminar o videoclip para a música toda.

Por acaso esse vídeo clip até foi um passo importante para conseguir estar actualmente a desenvolver este conjunto de 11 filmes.


Killer pas de deux from Light Search on Vimeo.

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